Quando você pensa em autoestima, o que vem à sua cabeça?

Preciso estar bonita? Preciso ser vaidosa? Sente que precisa provar seu valor? Sentir-se bem consigo mesma o tempo todo? Pensar positivo acerca de si?

Afinal, o que é autoestima?

Então, por que desenvolvemos crenças negativas a nosso respeito a ponto de fragilizar nossa autoestima

Nossa história e experiências vão constituindo nossas crenças. Aprendemos a sentir e a pensar a respeito de nós desde a infância.

Portanto, sentimentos, pensamentos e crenças de menos valia, falta de capacidade ou de que não somos “boas o suficiente” podem nascer em ambientes ou situações de muita cobrança, crítica, falta de acolhimento, necessidade não atendidas, padrões elevados, ambientes tóxicos ou relacionamentos abusivos.

Um desenvolvimento permeado de regras rígidas, comparações entre ações e comportamentos, altos padrões de desempenho e a não aceitação dos erros podem contribuir para que vinculemos o nosso valor ao quanto fazemos, realizamos e conquistamos.

Assim, quando não atingimos tais padrões ou expectativas alheias, relacionamos a falta de validação com a crença de insuficiência, desvalia ou desamor e cristalizamos pensamentos como “não sou boa o suficiente, preciso provar que consigo, preciso ser reconhecida, preciso dar conta de tudo”.

Por que olhar para fora pode nos afastar de quem somos?

Podemos passar a medir quem somos, e consequentemente nosso valor, cada vez mais pela aprovação externa. Ficamos reféns do olhar do outro e as comparações passam a delinear nossas escolhas e vamos, pouco a pouco, nos afastando de quem de fato somos, diminuindo ainda mais nosso valor.

Esse hábito nos aprisiona num ciclo de expectativas impossíveis de atingir. Principalmente, hoje, em que somos invadidas pelas edições da vida alheia nas redes sociais. Nelas, somos levadas a acreditar que todos estão felizes e realizados e apenas nós não conseguimos alcançar aquilo que imaginamos ser a felicidade, o sucesso ou a realização.

Esse comportamento, drena nossa energia e faz com que fiquemos sem forças para nos dedicar ao que de fato é importante em nossa vida.

Agora reflita: Você está vivendo de acordo com quem você é ou com o que esperam de você?

Talvez reconhecer o próprio valor comece justamente quando deixamos de olhar apenas para fora; para aquilo que esperam de nós, para os padrões que nos comparam e para a aprovação que buscamos, e começamos a olhar para dentro.

Jung nos lembra: “Sua visão se tornará clara somente quando você puder olhar para dentro do seu próprio coração. Quem olha para fora sonha; quem olha para dentro desperta.” (JUNG, C. G. Letters, Volume 1: 1906–1950. Princeton University Press).

Olhar para dentro não significa ignorar o mundo ao nosso redor. Significa começar a perceber quem somos para além das expectativas, dos papéis que desempenhamos e das imagens que aprendemos a construir sobre nós mesmas.

Vale lembrar que ter autoestima não é se sentir bem consigo mesma o tempo todo, mas sim acolher a inteireza que nós somos, com nossos pontos fortes e fragilidades, dias bons e ruins.

Ter uma boa relação com a nossa autoestima envolve conseguir olhar para as próprias limitações sem transformar uma falha na definição de quem somos.

É, principalmente, admitir e fazer as pazes com as nossas próprias vulnerabilidades.

Como fortalecer sua autoestima

Fortalecer a autoestima não acontece de uma hora para outra. É um processo de pequenas escolhas cotidianas que nos ajudam a sair da posição de quem precisa constantemente provar seu valor e caminhar em direção a uma relação mais consciente e respeitosa consigo mesma.

Pequenas mudanças que fazem grande diferença:

  • Pratique o autoconhecimento;
  • Reconheça pequenas conquistas;
  • Aprenda a estabelecer limites e a dizer não;
  • Aceite seus erros;
  • Seja compassiva consigo mesma;
  • Abra espaço ao autocuidado;
  • Reavalie seus relacionamentos;
  • Fortaleça seus valores;
  • Pratique a pausa/descanso consciente;
  • Tenha um hobby;
  • Realize seus sonhos.

Alimentar nossa autoestima é reconhecer nosso próprio valor e desenvolver uma relação mais saudável, de autorrespeito consigo mesma, pois autoestima é também aprender a se acolher.

Reconhecer meu valor é autoestima. Conhecer quem sou é autoconhecimento. Acreditar que posso agir é autoconfiança. E respeitar aquilo que reconheço em mim também significa aprender a estabelecer limites, fazer escolhas e cuidar de mim.

Para finalizar, eu gostaria de sugerir um exercício de arteterapia para você ampliar seu autoconhecimento: se você pudesse desenhar a maneira como tem se enxergado ultimamente, que imagem apareceria?

Depois, observe a imagem, as cores, os elementos que surgiram e o que eles podem revelar sobre a maneira como você tem se percebido. Importante: não existe desenho certo ou errado. Não se preocupe com a estética. O mais importante é observar o que surgiu e quais sentidos essa imagem desperta em você. Se quiser compartilhar comigo, ficarei feliz em receber seu comentário.