Você está satisfeito com a vida que está vivendo? As situações vivenciadas diariamente são reflexos de suas escolhas? Será que você vive em uma Matrix?

Podemos especular que o mundo que vivemos nos faz pensar que podemos estar vivendo um sonho, um mundo de ilusões, o que os hinduístas chamam de Maya – uma Matrix.

A sociedade é norteada e conduzida, em sua grande maioria, por estereótipos, imposição de padrões e conceitos pré-estabelecidos. Nos quais todos temos que nos enquadrar, pois aqueles que fogem à “normalidade” são tachados e naturalmente excluídos. 

Não há respeito pelas diferenças e diversidades, o que impera é a intolerância e a necessidade de fazer com que nos adequemos às necessidades e padrões e, muitas vezes, nós também exigimos que os outros se moldem pelas nossas vontades.

Padrões Sociais

Mas, que padrão é esse? O que é ser normal? Quantos de nós já nos vimos obrigados a vestir uma máscara para nos ajustar e nos tornar adequados e aceitos socialmente? 

Quantas vezes rotulamos ou nos apegamos a ideias, escondemos nossos reais sentimentos, ampliando, reduzindo ou camuflando alguma situação, ajustando nosso comportamento e nos ferindo, ou querendo que o outro se ajuste ao nosso padrão? 

Estamos, a todo momento, nos justificando, buscando explicações para que as situações caibam no que se considera justo e correto como maneira de pensar, de agir e de ser, mas o que é e para quem é esse padrão justo e correto?

Aprendemos desde a infância que devemos estudar para sermos alguém na vida, construir uma carreira bem-sucedida. Que devemos encontrar nosso grande amor, casar, ter filhos e sermos felizes para sempre… E quem foge a essas regras é mal visto, criticado, inadequado. 

Normose

Seguimos as normas impostas pela sociedade e vivemos na Normose, isto é, com hábitos ditos normais pelo consenso social que, em alguns casos, podem nos levar à infelicidade, à doença e à perda de sentido na vida.

Segundo Roberto Crema, cada um de nós tem talentos diversos. Mas nos tornamos “normóticos, portadores da normose.

Ou seja, padecemos de falta de empenho em fazer florescer nossos dons e enterramos nossos talentos com medo da própria grandeza, fugindo de nossa missão individual e intransferível. Quando temos necessidade de, a todo custo, ser como os outros, não escutamos nossa própria vocação”. 

Vocação vem do latim, vocare, e significa chamado, é a nossa aptidão natural. Mas a sociedade tenta a todo custo nos enquadrar na normalidade, fazendo com que nos esqueçamos de nossa grandeza, de nossa individualidade, daquilo que nos faz únicos.

Autorrealização

O psicólogo Abraham Maslow estava convencido de que dentro de nós existe um impulso para alcançar essa grandeza e um desejo de avançar em direção às nossas “maiores possibilidades”.

Porém, poucos de nós conseguem algo realmente valioso.. Pode haver diversas razões para isso, mas uma delas, é que tememos a nossa grandeza mais do que a desejamos.

Esse medo de ser grande nos leva a restabelecer uma conexão maior com a sociedade por meio da conformidade e a rejeitar muito do que nos torna únicos. Destacar-se da multidão pode estimular a angústia da solidão e do isolamento. 

Quanto mais nos sentimos únicos, mais desperta em nós os sentimentos de desamparo e inadequação, pois estabelecer semelhanças e conexões nos reconforta, queremos ser como os outros. Assim, preferimos renunciar à nossa originalidade a viver isolados, nos conformamos com nosso “destino” e deixamos as coisas como estão.

Autoconhecimento e Autorrealização

Para fugir desse mundo Matrix, ilusório, que nos adoece e nos frustra, e que muitas vezes nos auto impomos, é preciso resgatar a semente potencial que nos diferencia e nos faz únicos. Ela jaz em nosso interior, pois é nela que se encontra a nossa grandeza. 

Toda semente sabe o que deve fazer quando posta em solo fértil. Quando plantamos uma semente de laranja, ela não se questiona se conseguirá se transformar em uma laranjeira, ela simplesmente acessa seu potencial e floresce.

Façamos como as sementes de laranja! Floresçamos em nosso potencial culminante, isto é, coloquemos em ação plenamente nossos talentos e habilidades.

A autorrealização se dá através da exploração e da realização de nossas capacidades inerentes e para acessá-las é necessário um trabalho de autodesenvolvimento e autoconhecimento, para descobrir nossos dons – os tesouros que guardamos e que muitas vezes tememos acessar.

A autorrealização é a expressão máxima de nossa semente e ela reside em descobrir como vamos nos apresentar no mundo e oferecer a ele nossa melhor versão. É o desejo de nos tornarmos o que realmente somos.