As entrevistas de emprego costumam ser eventos carregados de preocupações, angústia, dúvidas e inseguranças para muitos profissionais. Esse momento além da carga performática, ativa três dimensões muito importantes para nós: a Dimensão Prática, a Psicológica e a Social.

1. Dimensão Prática – ligada à nossa sobrevivência

Para a maioria dos profissionais, o trabalho garante: segurança financeira, autonomia, estabilidade e status social.
Estamos falando, portanto, de valores ligados à sobrevivência. E, diante de uma situação que envolve avaliação e uma possível rejeição que venha a ameaçar nossa segurança, nosso cérebro tende a fazer interpretações de risco real. A incerteza é um dos maiores gatilhos de ansiedade. Ativa nosso sistema límbico, responsável pelos alertas de perigo: sudorese, aceleração cardíaca e pensamentos catastróficos.

2. Dimensão psicológica – ligada à nossa identidade

Uma entrevista não avalia apenas nossas competências técnicas, ela toca na pergunta: “Eu sou bom o suficiente?”
E quando estamos diante de um resultado incerto, isso desperta algumas vulnerabilidades, como: falta de autoestima e autovalor, desconhecimento de habilidades e competências, medo da exposição, de falhar publicamente, a comparação com outros candidatos e a dificuldade em falar sobre resultados e conquistas.
Além disso, muitas pessoas já entram derrotadas por pensamentos como: “Tem gente melhor que eu.” – “Se eu errar uma resposta, acabou pra mim.” – “Eles vão perceber que eu não sou bom.”

3. Dimensão social – ligada ao medo do julgamento

Momentos de avaliação também podem ativar antigas memórias de: críticas familiares ou de antigos líderes, experiências de humilhação, ambientes competitivos ou rejeições passadas.

Soma-se a isso a falta de previsibilidade diante de perguntas inesperadas, avaliações subjetivas e decisões unilaterais.
Muitas vezes, envolve uma autocobrança ou expectativa: a saída de um ambiente tóxico, o recomeço após uma demissão, a prova de competência ou a independência financeira.

Diante de tudo isso, uma entrevista, pode ser tornar, simbolicamente, maior do que de fato é. Ela deixa de ser apenas “uma vaga” e se transforma em validação pessoal. Ademais, muitos profissionais têm a crença de que não podem avaliar e escolher as empresas.

Em síntese, o medo na entrevista não é falta de capacidade, é uma resposta natural quando: segurança, identidade e pertencimento estão em jogo simultaneamente.

O que muda o resultado é o PREPARO: autoconhecimento, a inteligência emocional e a segurança para expor suas competências de forma efetiva.